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Dislexia Infantil: Compreendendo o Cérebro que Lê de Forma Diferente

  • Foto do escritor: Christiane Romano
    Christiane Romano
  • 26 de jul.
  • 2 min de leitura


A dislexia é muito mais do que apenas uma "dificuldade para ler". Para quem convive com ela, o mundo das letras pode parecer um código complexo e em constante movimento. Cientificamente, a dislexia é definida como um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica. Isso significa que ela não é causada por falta de esforço, má alfabetização ou problemas emocionais, mas sim por uma organização cerebral diferente na forma como o cérebro processa a linguagem.


O que acontece no cérebro?


Neuropsicologicamente, sabemos que a leitura é uma função complexa que exige a integração de diversas áreas do cérebro. Para ler, precisamos converter sinais gráficos (letras e palavras) em sons (fonemas). Em um cérebro neurotípico, essa conexão ocorre de forma rápida e automática. Na criança com dislexia, existe uma dificuldade fundamental no processamento fonológico. É como se o cérebro tivesse dificuldade em 'desmontar' as palavras em seus sons individuais (fonemas) e 'remontá-las' rapidamente. Estudos de neuroimagem mostram que, durante a leitura, pessoas com dislexia frequentemente apresentam uma menor ativação nas regiões do hemisfério esquerdo responsáveis pelo processamento da linguagem, como as áreas temporoparietais e occipitotemporais.


Sinais de Alerta: Como identificar?


A dislexia é inesperada em relação à inteligência da criança. Ou seja, uma criança com dislexia pode ser extremamente criativa, inteligente e capaz de entender histórias complexas quando alguém lê para ela, mas apresentar dificuldades persistentes em:


  • Identificar rimas e brincar com os sons das palavras;

  • Memorizar o nome das letras e seus sons correspondentes;

  • Realizar a decodificação de palavras novas, resultando em uma leitura lenta, silabada e pouco fluente;

  • Escrever, frequentemente trocando, omitindo ou invertendo letras.


O papel da plasticidade cerebral


É fundamental desmistificar a ideia de que o disléxico 'não consegue aprender'. O cérebro humano possui uma capacidade incrível chamada plasticidade cerebral. Isso significa que, mesmo com um padrão de processamento diferente, o cérebro pode criar novas redes e caminhos neurais através da experiência e de intervenções especializadas.O diagnóstico precoce e o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar — incluindo fonoaudiólogos, psicopedagogos e psicólogos — são essenciais. Com o suporte adequado, a criança aprende a utilizar estratégias alternativas para superar essas barreiras e alcançar seu potencial.


Como podemos ajudar?


A dislexia gera um esforço cognitivo imenso. A criança com dislexia gasta muita energia para ler e escrever, o que gera um cansaço físico e mental legítimo. Por isso, o apoio da família e da escola deve ser acolhedor:


  • Valorize o esforço: Reconheça as pequenas conquistas, focando na evolução da criança e não apenas na nota ou no erro ortográfico.

  • Use recursos multissensoriais: Como a criança tem facilidade em aprender quando vê ou manipula objetos, utilizar jogos de construção e materiais visuais pode ser um excelente aliado.

  • Foque na compreensão, não apenas na decodificação: Leia com seu filho, discuta o enredo das histórias e estimule o prazer pela leitura através de gêneros que ele goste.


Entender a dislexia é o primeiro passo para transformar a angústia da falha no entusiasmo da descoberta. Com paciência, ciência e afeto, é possível construir caminhos onde as letras deixam de ser um obstáculo e passam a fazer parte da história de sucesso de cada criança.


 
 
 

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